Pequim vai elevar gasto em obras para estimular economia

Ir para o conteúdo
Parcerias

Pequim vai elevar gasto em obras para estimular economia

SINICON
Publicado por Valor Econômico em ECONOMIA · 29 Abril 2022
A China anunciou que aumentará as obras de infraestrutura, depois de uma reunião ontem comandada pelo presidente Xi Jinping. É o sinal mais recente de que está em curso um esforço massivo para fortalecer uma economia abalada com os lockdowns cada vez mais amplos contra a covid-19. O Comitê Financeiro Central decidiu ampliar e antecipar projetos em algumas áreas, segundo informou a emissora estatal CCTV. Entre eles estão aeroportos e outros centros de transporte, assim como projetos de conservação de energia e água. O comitê também pediu um aumento dos gastos orçamentários e uma ampliação dos canais de financiamento de longo prazo para as obras.
Wang Yiming, membro do Comitê de Política Monetária do banco central chinês, disse que o país deve adotar macropolíticas “mais vigorosas” para limitar o impacto da pandemia. Ao falar em um fórum econômico em Pequim nesta semana, Wang disse que as autoridades precisam “garantir que a taxa de crescimento no segundo trimestre possa voltar a ser de mais de 5%, o que é especialmente importante para o país atingir a meta prevista de 5,5%” para 2022.
O PIB da China cresceu 4,8% no primeiro trimestre, mas muitos economistas consideram esse porcentual com sendo superestimado. A investida de Xi por estímulos mais ousados chama a atenção para o fato de que neste ano as autoridades chinesas estão diante de um desafio crucial para manter a economia em alta e cumprir a meta de Pequim de crescimento anual de 5,5%. Como o líder chinês mais poderoso em décadas, as instruções de Xi têm muito peso, mesmo que sejam vagas nos detalhes. Ainda assim, muitos economistas mostram-se céticos quanto à possibilidade de que a meta seja alcançável enquanto Pequim mantiver sua política de “covidzero”, que prejudica os gastos do consumidor e a produção industrial em uma economia que já está em dificuldades por causa da crise no setor imobiliário e da demanda mais fraca por suas exportações.
Ao mesmo tempo, autoridades chinesas propuseram encontros com investidores e empresas estrangeiros, em um esforço para tranquilizar aqueles que ficaram abalados pelas medidas repressivas de Pequim contra o setor privado, segundo fontes familiarizadas com as reuniões. Em 2021, uma série de medidas regulatórias atingiu setores que costumavam ser lucrativos, como tecnologia e ensino privado, o que tirou centenas de bilhões de dólares do valor de mercado de algumas das maiores empresas da China e deixou os investidores em dúvida sobre o futuro do setor privado chinês.
Pequim também reverteu suas políticas em outros setores, como o imobiliário. Nas últimas semanas, governos locais amenizaram suas restrições para a compra de casas. Pequim também adiou os planos de expandir o teste de adoção de um imposto predial, como parte da ofensiva para restaurar a confiança no setor. Dados oficiais mostram que a economia da China se expandiu no primeiro trimestre, mas os lockdowns prejudicaram o comércio, os gastos no varejo e a produção industrial em março.
Muitos economistas reduziram suas expectativas para o crescimento chinês neste ano, por acreditar que os custos dos esforços repetidos para acabar com o vírus neutralizarão qualquer estímulo do governo. A variante ômicron, mais infecciosa, levou os casos de covid-19 na China para um recorde neste ano e levou o governo a impor lockdowns na província industrial de Jilin, no nordeste, e no centro tecnológico de Shenzhen, no sul. Xangai, a cidade mais populosa da China e seu centro financeiro e comercial, continua sob pesadas restrições, com a população obrigada a ficar em suas casas e fábricas fechadas, interrompendo o tráfego de mercadorias de e para o porto da cidade, um dos mais movimentados do mundo.
Agora o número de casos de covid tem crescido em Pequim, um surto que deixa a capital apreensiva. Enquanto isso, a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções que o Ocidente impôs como resposta provocaram uma disparada nos preços das commodities, o que aumentou os custos para as empresas e levou a transtornos nas cadeias de fornecimento mundiais de trigo, petróleo, metais e outros produtos. A inflação galopante prejudica os consumidores nos EUA e na Europa e enfraquece a demanda pela importação de produtos manufaturados na China.
O resultado é que muitos economistas duvidam que a China consiga cumprir a meta de crescimento de 5,5% do governo, o que torna sombrias as perspectivas para uma economia mundial que também precisa digerir o já esperado cancelamento rápido das políticas de crédito fácil nos EUA. Para muitos economistas, ainda não está claro de onde deve vir o crescimento da China. As empresas enfrentam o aumento dos preços e o enfraquecimento da demanda interna e externa, o que limita seu apetite por investimentos. O setor imobiliário já foi um motor de crescimento confiável, mas um boom de vários anos deixou o setor em dificuldades e insolvente. E os consumidores estão confinados pela estratégia de tolerância zero do governo em relação à covid-19, sem poder gastar dinheiro em viagens, refeições e outros serviços. (Com Bloomberg).



Rua DEBRET, nº 23, 12º andar, Salas 1201 a 1207
Bairro Centro - Rio de Janeiro/RJ
CEP: 20.030-080
Telefone: (21) 2210-1322
e-mail: sinicon@sinicon.org.br

SCS - Edifício Ceará - Quadra 1, bloco E, nº 30 - Salas 801 ,802, 813 e 814
Plano Piloto - Brasília - DF
CEP 70303-900
Telefone.: (61) 3223 3161
e-mail: brasilia@sinicon.org.br
SIGA-NOS:
Voltar para o conteúdo