Pacto Global da ONU busca avanços mais concretos em ESG das empresas do país

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Pacto Global da ONU busca avanços mais concretos em ESG das empresas do país

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Publicado por Valor Econômico em GESTÃO · 2 Maio 2022
A seção brasileira do Pacto Global da ONU, que estimula práticas sustentáveis no mundo empresarial, mira avanços mais concretos no país. Para tanto, lança hoje na B3 o programa “Ambição 2030”, espécie de convocatória para que companhias brasileiras, listadas em bolsa ou não, implementem ações ligadas aos objetivos de desenvolvimento sustentável, conhecidos como ODS, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Há metas em set e frentes: equidade de gênero, de raça, dignidade salarial, saúde mental, acesso à água, e medidas de transparência e anticorrupção. O pacote inclui também um fórum especial de diretores financeiros de empresas. A ideia é estimular o financiamento de ações de sustentabilidade levando em conta, ao mesmo tempo, os compromissos contábeis das companhias.

Carlo Pereira, que preside o pacto no Brasil, afirma que o objetivo é engajar as empresas na iniciativa e, além disso, fazer um acompanhamento da implementação do programa e dos resultados obtidos. A preocupação é evitar ações de marketing que não se sustentam na prática, o chamado “greenwashing”. Pereira diz que, a partir de 2023, as empresas do pacto deverão preencher uma plataforma com dados sobre as ações ligadas às políticas prioritárias do programa “Ambição 2030”.

“Será uma base de dados poderosa, que pode tornar o esforço brasileiro um padrão global. A plataforma continuará sendo voluntária, mas a régua vai aumentar muito nos próximos anos. Vamos cobrar mais pela evolução nessas sete agendas”, diz.

O programa foi apresentado a 250 lideranças das maiores empresas do país na semana passada em jantar fechado em hotel da Bela Vista, na região central de São Paulo. Desta vez, na B3, a iniciativa será divulgada ao grande público e para todas as 1,5 mil empresas signatárias do pacto no Brasil. Desse universo, diz Pereira, 120 têm iniciativas sustentáveis em andamento em uma das sete frentes de interesse.

“Teremos um painel com lideranças e vamos tocar a campainha [do pregão] da B3 para aproveitar a casa do setor financeiro e seu olhar cada vez mais atento ao ESG”, diz Pereira. Entre as metas, estão, por exemplo, empregar 11 mil mulheres em cargos acima de diretoria até 2030 e multiplicar por dez o número de líderes negros no mesmo período. “São números factíveis, que vamos perseguir.”

Um dos pilares do programa será a chamada “CFO Coalition” brasileira. Essa “força-tarefa” de diretores financeiros já existe em âmbito global, com representantes de 60 empresas que juntas têm cerca de US$ 1,7 trilhão em capitalização de mercado. O grupo se comprometeu, na última Assembleia Geral da ONU, no ano passado, a orientar US$ 500 bilhões nos próximos cinco anos para atividades marcadas pelos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS).

A meta global é chegar a mil chefes financeiros envolvidos até 2023. No Brasil, Pereira se comprometeu a atrair 10% desse contingente: cem executivos que tenham capacidade de reforçar a fatura da sustentabilidade. Segundo ele, serão recursos que devem integrar o plano de negócios dessas empresas, a serem tensionados pelo ESG, a agenda de políticas ambientais, sociais e de governança corporativa.

“O CFO costuma ser desconectado dessas agendas [ESG], mas temos visto receptividade”, diz. Cita, por exemplo, as emissões de títulos de dívida verdes (“green bonds”) e títulos atrelados ao desempenho das empresas nessa área, os chamados “sustainabiliy linked bonds”, que pagam taxas acima do retorno inicial previsto caso as metas não sejam atingidas.

O “Ambição 2030” conta com o apoio de sete empresas embaixadoras: Instituto Sul-América, Animale, Uber, Aegea, KPMG, Ambipar e Movimento Mulher 360. Em relação à coalizão de diretores financeiros, outras empresas se comprometeram, incluindo BTG Pactual, Suzano, Klabin, Braskem, Ambev e Grupo CCRR.

Segundo o Pacto Global, a renovação de esforços vem em boa hora porque a pandemia continua a impactar sociedades e economias mundo a fora, pondo em risco os objetivos da ONU. Essas ações, incluídas nos ODS, podem “desacelerar” ou até mesmo “entrar em reversão” ante a expectativa de que a pobreza volte a aumentar no mundo pela primeira vez em mais de 20 anos. Antes da pandemia, as Nações Unidas estimaram que precisariam ser gastos entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões anuais para atender aos ODS até 2030, mas a crise sanitária teria elevado essa necessidade em US$ 2 trilhões anuais, estima o Pacto Global da ONU.



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