Construtoras mudam para se reerguer

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Construtoras mudam para se reerguer

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Publicado por Poder 360 em GESTÃO · 27 Dezembro 2022
Empreiteiras que lideraram o setor de infraestrutura até 2015 vêm reformulando suas atividades para se manterem relevantes no mercado.

Depois das crises econômicas de 2015 a 2016 e a paralisação de obras durante a operação Lava Jato, empresas se desfizeram de ativos, escritórios e equipamentos. Funcionários foram dispensados ou tiveram aposentadorias antecipadas. As empresas também passaram por transformações internas e nos modelos de negócios.

Houve uma deterioração do financiamento a obras no exterior com menos envolvimento do governo. Resultado: a receita das construtoras encolheu até 90% em um ciclo de 5 anos.

O setor de engenharia e construção saiu de um pico de faturamento anual de R$ 179,6 bilhões em 2013 para R$ 68,3 bilhões em 2021, segundo levantamento da revista O Empreiteiro.

Para se reerguer, essas companhias se voltaram ao mercado interno e buscaram diversificar o seu portfólio de projetos, formando um mix de contratos públicos e privados.

MÍNIMO DE R$ 500 MILHÕES
Com menor demanda do setor público, o valor médio dos contratos caiu. Antes, empresas poderiam escolher obras com orçamentos próximos a R$ 500 milhões por ano. Há poucas obras privadas dessa magnitude.

Houve ainda uma mudança institucional no perfil das companhias. Depois da descoberta de casos de corrupção, empresas envolvidas na Lava Jato reforçam o departamento de conformidade (compliance) para recuperar sua credibilidade frente ao mercado e à opinião pública.

Algumas companhias, como a Petrobras, vetam o contrato com empreiteiras que tenham dentro do corpo decisório pessoas envolvidas nas operações anti-corrupção.

As construtoras tiveram que se reinventar e criar novas soluções de engenharia para atender os pequenos e médios clientes que elas disputam agora.

ACEITAM OBRAS DE R$ 3 MILHÕES
Uma das maiores construtoras do país aceitou recentemente uma obra de drenagem de R$ 3 milhões. O engenheiro que relatou o caso pediu que o nome da empresa não fosse revelado.

É uma obra que terá no máximo 40 pessoas trabalhando, por pouco tempo. Mesmo assim é considerada vantajosa. Pode resultar em lucro de 10% do valor total para a empresa. A perspectiva de conseguir vários contratos assim é considerada positiva. A obra representa uma mudança radical para empresas que estavam acostumadas a rejeitar qualquer proposta inferior a R$ 500 milhões.

A expectativa é poder ampliar os contratos com o amadurecimento das concessões que foram outorgadas pelo governo federal, e que devem entrar em uma etapa consistente de execução de obras a partir de 2023.



Empreiteiras que lideraram o setor de infraestrutura até 2015 vêm reformulando suas atividades para se manterem relevantes no mercado.

Depois das crises econômicas de 2015 a 2016 e a paralisação de obras durante a operação Lava Jato, empresas se desfizeram de ativos, escritórios e equipamentos. Funcionários foram dispensados ou tiveram aposentadorias antecipadas. As empresas também passaram por transformações internas e nos modelos de negócios.

Houve uma deterioração do financiamento a obras no exterior com menos envolvimento do governo. Resultado: a receita das construtoras encolheu até 90% em um ciclo de 5 anos.

O setor de engenharia e construção saiu de um pico de faturamento anual de R$ 179,6 bilhões em 2013 para R$ 68,3 bilhões em 2021, segundo levantamento da revista O Empreiteiro.

Para se reerguer, essas companhias se voltaram ao mercado interno e buscaram diversificar o seu portfólio de projetos, formando um mix de contratos públicos e privados.

MÍNIMO DE R$ 500 MILHÕES
Com menor demanda do setor público, o valor médio dos contratos caiu. Antes, empresas poderiam escolher obras com orçamentos próximos a R$ 500 milhões por ano. Há poucas obras privadas dessa magnitude.

Houve ainda uma mudança institucional no perfil das companhias. Depois da descoberta de casos de corrupção, empresas envolvidas na Lava Jato reforçam o departamento de conformidade (compliance) para recuperar sua credibilidade frente ao mercado e à opinião pública.

Algumas companhias, como a Petrobras, vetam o contrato com empreiteiras que tenham dentro do corpo decisório pessoas envolvidas nas operações anti-corrupção.

As construtoras tiveram que se reinventar e criar novas soluções de engenharia para atender os pequenos e médios clientes que elas disputam agora.

ACEITAM OBRAS DE R$ 3 MILHÕES
Uma das maiores construtoras do país aceitou recentemente uma obra de drenagem de R$ 3 milhões. O engenheiro que relatou o caso pediu que o nome da empresa não fosse revelado.

É uma obra que terá no máximo 40 pessoas trabalhando, por pouco tempo. Mesmo assim é considerada vantajosa. Pode resultar em lucro de 10% do valor total para a empresa. A perspectiva de conseguir vários contratos assim é considerada positiva. A obra representa uma mudança radical para empresas que estavam acostumadas a rejeitar qualquer proposta inferior a R$ 500 milhões.

A expectativa é poder ampliar os contratos com o amadurecimento das concessões que foram outorgadas pelo governo federal, e que devem entrar em uma etapa consistente de execução de obras a partir de 2023.



ATIVOS DA OAS FICAM COM METHA E COESA
A baiana OAS, que chegou a figurar entre as top 5 do país, passou por uma reestruturação nos últimos anos. A companhia entrou em recuperação judicial em 2015.

Durante o processo de reestruturação, a OAS repassou ações da Invepar ao fundo Yosemite (formado por credores da antiga companhia). A Invepar é uma das administradoras do aeroporto de Guarulhos (SP). É o 2º mais movimentado da América Latina (perde apenas para o Aeroporto Internacional da Cidade do México). Outra perda da OAS durante a Lava Jato foi a parceria público-privada de esgoto de Guarulhos, estimada de R$ 1,1 bilhão, pelo período de 30 anos.

Ao fim do processo, os ativos da empresa foram adquiridos por duas companhias.

  • Metha, holding 100% controlada pela família Mata Pires, que adquiriu negócios da OAS;
  • Coesa, com sócios, formada a partir de parte dos ativos da OAS.

É um processo diferente de outras empreiteiras que apenas mudaram de nome.


A Metha criou a construtora KPE Engenharia. Outro braço é a E2, destinada à gestão de arenas esportivas (como a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, a Arena Fonte Nova, em Salvador, e a Arena das Dunas, em Natal). Há ainda a Beyond, de soluções de engenharia ambiental

A Coesa foca atualmente em 3 áreas: infraestrutura, construção civil e energia, óleo e gás

CAMARGO É MOVER
A Camargo Corrêa também se reestruturou. A holding mudou o nome para Mover. Depois, dividiu a empreiteira em duas: Construções e Comércio Camargo Corrêa (4C), que concentra a carteira de obras e as negociações com a Lava Jato, e a Camargo Corrêa Infra, para planejar novas ações.

A Camargo Corrêa, por exemplo, passou a contar com portfólio mais focado em infraestrutura do que em construção civil. A Mover é uma das acionárias da CCR, o maior grupo privado de operação de infraestrutura de transporte na América Latina. No Brasil, administra 2.243 km de rodovias.

A CCR opera também 54 estações do metrô. Controla aeroportos no Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao. Em 2021, a companhia conquistou grandes contratos: 2 blocos de aeroportos federais (Central e Sul); o aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte; e as linhas 8 e 9 da CPTM em São Paulo.

Nos Estados Unidos, a CCR controla as prestadoras de serviços aeroportuários TAS (Total Airport Services) e CCR USA.



Esta reportagem faz parte da série Brasil à frente. Trata-se de um abrangente levantamento de informações do jornal digital Poder360 sobre os desafios do país nesta 3ª década do século 21, em que a democracia está em fase avançada de consolidação, mas as instituições e vários setores da economia ainda precisam de aperfeiçoamento.



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